Domingo, Junho 21, 2009

La Mer

Do mais cerebral dos poetas modernos, um fragmento sobre o corpo no mar, que me deu saudades da praia do Cumbuco:

Parece que me reencontro e me reconheço quando volto a esta água universal. Nada conheço nos campos dos ceifadores, nas vindimas. Nada para mim nas Geórgicas. Mas jogar-se na massa e no movimento, agir até os extremos, da nuca aos dedos do pé; voltar para esta substância pura e profunda; beber e expirar o divino azedume, é para o meu ser um jogo comparável ao amor - ação em que todo meu corpo se faz signo e todo força, como uma mão se abre e se fecha, fala e age. Aqui, todo o corpo se doa, recomeça, concebe-se, desgasta-se e deseja esgotar seus possíveis. Ele a abraça, quer agarrá-la, guardá-la, enche-se de vida e de sua livre mobilidade; o corpo a possui, engendra com ela mil idéias estranhas. Através dela, eu sou o homem que quero ser. Meu corpo torna-se o instrumento direto do espírito, e no entanto autor de todas as suas idéias. Tudo aclara-se para mim. Eu compreendo ao extremo aquilo que o amor poderia ser. Excesso do real! As carícias são conhecimento. Os atos dos amantes seriam os modelos das obras.

Paul Valéry

1 Comentários:

Blogger Alexandra disse...

La meeer
qu'on voit danser le long des golfes clairs
a des reflets d'argent

hehe, a música do mr. bean :~

5:10 PM  

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