Dodo wants more than a cracker
A vida é bastante assim: num dia, estamos felizes na Praça do Papa, assistindo à nova peça do grupo Galpão, tendo Belo Horizonte iluminada ao fundo, com a nossa suspensão voluntária da descrença, do rancor e do desamor funcionando bem; no outro, estamos em casa, na Cidade Nova, entediados até mesmo para ver mais um episódio de House, e tanto mais para estudar.
Agora, ofende-me em particular ter todos os dias de procurar o que comer. Gostaria de comer apenas quando me desse na telha, quando me parecesse preferível. Se um dia inventam os comprimidos que valem por refeições inteiras, andarei sempre com um punhado nos bolsos.
Porque há dias em que não se tem ânimo para ir à rua comer qualquer coisa, que se conjugam com os dias em que não se tem mais nada na geladeira, que se unem, canalhas, com os dias em que quase não se tem dinheiro algum na conta corrente. Uma máfia de dias. E eles são muitos, e eu sou um só.
É, afinal, nesses dias que descubro a correlação íntima entre minha alma e minha conta corrente. Se a conta está cheia, minha alma é toda velas e amplidão; se está vazia, é saco plástico furado. Meu heroísmo depende de renda. Para mim, nesses dias, os poemas mais bonitos que Baudelaire escreveu foram as cartas em que pede dinheiro emprestado aos amigos.
A vida é bastante assim: num dia, estamos felizes na Praça do Papa, assistindo à nova peça do grupo Galpão, tendo Belo Horizonte iluminada ao fundo, com a nossa suspensão voluntária da descrença, do rancor e do desamor funcionando bem; no outro, estamos em casa, na Cidade Nova, entediados até mesmo para ver mais um episódio de House, e tanto mais para estudar.
Agora, ofende-me em particular ter todos os dias de procurar o que comer. Gostaria de comer apenas quando me desse na telha, quando me parecesse preferível. Se um dia inventam os comprimidos que valem por refeições inteiras, andarei sempre com um punhado nos bolsos.
Porque há dias em que não se tem ânimo para ir à rua comer qualquer coisa, que se conjugam com os dias em que não se tem mais nada na geladeira, que se unem, canalhas, com os dias em que quase não se tem dinheiro algum na conta corrente. Uma máfia de dias. E eles são muitos, e eu sou um só.
É, afinal, nesses dias que descubro a correlação íntima entre minha alma e minha conta corrente. Se a conta está cheia, minha alma é toda velas e amplidão; se está vazia, é saco plástico furado. Meu heroísmo depende de renda. Para mim, nesses dias, os poemas mais bonitos que Baudelaire escreveu foram as cartas em que pede dinheiro emprestado aos amigos.

3 Comentários:
pois pra mim comida é prioridade, para comer sempre tenho ânimo e arranjo um dinheirinho de qualquer forma, é isso.
na fantáticas fábrica de chocolates tinha aquele chiclete que valia por uma refeição, né, e ainda não está pronto, quando se chega na sobremesa a gente vira uma bola violeta.
Olá, rapaz. Não estive na Praça do Papa, mas devo ver a apresentação de 'Till' cá na Lagoa do Nado, perto de casa.
Mas vou ali ler seu artigo na Dicta 3.
Abraço.
E por causa disso, ao invés de mandar dinheiro, mamãe te manda uma caixa com biscoitos pelo correio???
Hehehehe
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Início