Questões ao redor de uma cabeça
Os pássaros negros da noite lúcida
pousaram, um a um, sobre minha cabeça.
Sobre o braço do sofá, insciente e muda,
processa o dia, sua estranha, vaga tristeza.
Quando o palhaço lançá-la à sepultura,
verme algum lhe devorará o oculto mundo,
o outro mundo, incriado, em cuja arquitetura
vão inscritos os meus desejos. Num segundo,
contudo, terá este quadro nunca existido?
Só o silêncio herdará a circunscrita história
de um universo intuído por um sentido?
Os pássaros negros pela noite sem memória
conduzem minha cabeça, entupida de sonho.
O que nunca terá sido, disso me componho.
Consolação, 29 de julho de 2010.
Os pássaros negros da noite lúcida
pousaram, um a um, sobre minha cabeça.
Sobre o braço do sofá, insciente e muda,
processa o dia, sua estranha, vaga tristeza.
Quando o palhaço lançá-la à sepultura,
verme algum lhe devorará o oculto mundo,
o outro mundo, incriado, em cuja arquitetura
vão inscritos os meus desejos. Num segundo,
contudo, terá este quadro nunca existido?
Só o silêncio herdará a circunscrita história
de um universo intuído por um sentido?
Os pássaros negros pela noite sem memória
conduzem minha cabeça, entupida de sonho.
O que nunca terá sido, disso me componho.
Consolação, 29 de julho de 2010.

5 Comentários:
Excelente.
Também gostei bastante. Me lembrou muito aquele poema do Jorge Luis Borges, "Argumentum Ornithologicum".
Olá, Pedro, obrigado pela visita.
Leonardo, lembro desse texto do Borges, mas acho que é um texto em prosa. Vou dar uma lida. Obrigado pela visita.
Abraço,
É mesmo, é um trechinho em prosa. Bom, na verdade não lembra tanto..., tirando o pássaro e a tangibilidade do conteúdo mental.
Abraço!
Gosto muito de poesia com esse "ar" meio escuro, de pessimismo e esperança velados.
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